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É claro que o turismo, a indústria sem chaminé, é uma vocação intrínseca do Estado do Rio de Janeiro. Só que turismo não é beleza, são serviços. E aí o Rio historicamente se atrapalha, malgrada a decantada e real cordialidade e alegria do povo carioca.

Mais do que nunca se impõe o desenvolvimento de uma programação de ação permanente, imediata, de descomplicação absoluta da gestão pública com vistas à superação de entraves, de todas as ordens, que obstaculizam o florescimento de serviços em nossa Cidade.

A sinergia de belezas naturais invulgares, mais a qualidade de serviços, fará do Rio um protagonista destacado na cena do turismo internacional. Falo em descomplicação permanente, porque a burocracia e a burrice gerencial têm fôlego de gato, ressuscita sempre com mais força. O empresário e presidente do Rock In Rio Roberto Medina, volta e meia, tem testemunhado que fazer evento no Rio é mais burocrático, difícil e de enfrentamento contra empecilhos republicanos e não-republicanos do que em qualquer outro lugar no mundo.

Diagnosticar e remover todo o aparato complicador à prestação de serviços, facilitar estrutural e funcionalmente a vida do empreendedor turístico é a tarefa central de todos os que se dedicam a esse mister, quer na gestão pública quer na iniciativa privada. Esta é a prioridade, e como tal, é uma só, porque não há prioridades já que, se assim fosse, nenhuma delas as seriam.

O resto é só palavrório, esforços bem-intencionados aqui ou ali, esperanças que se esvaem, projetos legais e bem concebidos, tidos e havidos como espetaculares, que repetidos há décadas, não consolidam um desempenho autossustentado do turismo carioca, mais um “wishful thinking” (ou ilusão) que não se realiza das fantasias nacionais.

O turismo é a nossa vocação, afirmam todos, num lugar-comum monocórdio, mas nada se faz, de forma específica e global, para fazer fluir e concretizar essa prioridade vocacional. Nunca houve um esforço concentrado e exclusivo, como toda prioridade, intencional e deliberado, focado, na eficientização do turismo carioca. Continuamos perdendo o bonde da história.