“NOVELHO” Ano NOVO que repete o Ano Velho

É tradição no Brasil o ano administrativo só começar depois do carnaval. De janeiro a março, ministros e secretários estaduais e municipais aproveitam para tirar férias, o congresso nacional, as assembleias legislativas e as câmaras de vereadores ficam em recesso, assim como todo o poder judiciário.

Nada importante se resolveAno que se repete nesses dois primeiros meses do ano. A máquina pública continua funcionando apenas para cumprir as rotinas. É um tempo praticamente perdido na administração do país, dos estados e dos municípios. Mas de quatro em quatro anos esse quadro muda. E para pior. É o que vai acontecer agora em 2026.

Este ano realmente não vai ser igual àquele que passou, como diz a letra da música de sucesso. Primeiro porque teremos um grande número de feriados caindo na quinta, sexta e segunda feiras, o que significa semanas inteiras praticamente “enforcadas” com a decretação de pontos facultativos, um nome bonito para justificar a não presença de servidores ao trabalho.

Não bastassem os feriadões, terminado o carnaval de 2026, o país se prepara para a semana santa, período em que o serviço público para quase que totalmente. Antes disso, em março, ministros e secretários estaduais candidatos em outubro terão que deixar os cargos por força da legislação eleitoral. Até os substitutos se acostumarem com as novas funções leva tempo. Em seguida virá a copa do mundo e ninguém vai trabalhar em dias de jogos do Brasil. Serão milhões de brasileiros torcendo pela seleção, entre eles, é claro, os servidores públicos.

Em alguns estados, principalmente do Nordeste, as festas juninas, que acontecerão durante a copa do mundo, também serão motivos para as repartições públicas não funcionarem. O congresso praticamente para e logo depois vem o recesso de julho porque todos ficam muito cansados da rotina de quatro meses de trabalho.

Parece que acabou, mas não. Findo o recesso de meio de ano teremos as eleições de outubro. O Brasil estará inteiramente voltado para as campanhas eleitorais. Em nenhuma esfera de poder serão tomadas decisões importantes, que recairão sobre os ombros dos governos eleitos, mas que só tomarão posse em 2027.

Entre outubro e dezembro o tempo será de formação dos novos governos, diplomação dos parlamentares eleitos, transição em ministérios, secretarias estaduais e o recesso de 60 dias do Poder Judiciário.  Aí chegou o Natal, o ano novo e começa tudo outra vez. Ou o Brasil faz reformas administrativa e política de verdade ou continuará a ter um serviço público gigantesco, caro e ineficiente.

Adm. Wagner Siqueira

Presidente do CRA-RJ e do Fórum Est. dos Conselhos Profissionais do RJ

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x