LADO BOM E LADO MAU

A consolidação de Copacabana, cartão postal conhecido e admirado no mundo inteiro, como local para a realização de grandes eventos a céu aberto, por um lado incentiva o turismo que traz recursos para a cidade, mas ao mesmo tempo é um transtorno para os moradores, que pagam um IPTU alto e são obrigados a conviver com alterações no trânsito e até dificuldades para entrar e sair de casa.

Copacabana, então um bairro tranquilo, com grande população de idosos, começou a atrair multidões com a divulgação das belezas da queima de fogos nas noites de virada de ano. Daí vieram as competições esportivas, na areia e no mar, as manifestações políticas de esquerda e de direita, e os super shows de artistas famosos, nacionais e internacionais.

Só faltava o carnaval, que era restrito a alguns blocos de menor porte. Não falta mais. A prefeitura inaugurou este ano, na areia da praia, um espaço destinado a exibições de representantes de todas as escolas de samba, tudo de graça para atrair o maior número de pessoas possível. Assim, é difícil um fim de semana sem algum evento de grande porte no bairro.

Mas e os moradores? Como são tratados pelos gestores públicos? Com certeza com total desprezo. A prefeitura está preocupada em incentivar o turismo, nacional e internacional, se vangloria da ocupação sempre alta da rede hoteleira, dos esquemas de logística e de segurança montados para a realização dos eventos, do número cada vez maior de participantes nas promoções visando o lazer do carioca e a promoção da cidade.

Não é justo que o administrador público sequer pense nos idosos, nos doentes, nas crianças e até nos animais de estimação que não conseguem dormir ou pelo menos descansar com o barulho do foguetório que sempre precede o início de cada evento. Ou mesmo nas pessoas que precisam se deslocar pelo bairro e são submetidas a revistas para entrar e sair das ruas onde moram, enfrentam trânsito caótico e não podem sequer desfrutar da praia com tranquilidade. Sem falar em comerciantes e ambulantes inescrupulosos que aproveitam a ocasião para majorar preços de produtos e serviços.

É claro que muitos eventos devem continuar sendo realizados em Copacabana. Mas a prefeitura, para o bem dos moradores que pagam seus impostos e deveriam receber em troca serviços públicos de qualidade, poderia levar para locais menos populosos alguns eventos, como os shows de artistas internacionais ou o espaço para apresentação gratuita de sambistas.

(*) Presidente do CRA-RJ e do Fórum de Conselhos e Ordens Profissionais do RJ, ex-secretário de Administração da Cidade do Rio de Janeiro, Vogal da Junta Comercial do Rio de Janeiro, membro acadêmico da Academia Brasileira de Ciência da Administração (ABCA) e da Academia Nacional de Economia (ANE), além de ser autor de livros sobre gestão.  

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x