Da crise mundial ao Estado administrador e o início do DASP 

A crise da Bolsa de Nova Iorque, em 1929, foi um ponto de inflexão não apenas econômico, mas institucional. O colapso financeiro expôs a fragilidade das estruturas de governo e abriu espaço para regimes autoritários em diferentes partes do mundo.

 Adm. Wagner Siqueira, presidente do CRA-RJ e do Fórum de Conselhos e Ordens Profissionais do Rio de Janeiro, comenta que a conexão de eventos globais, decisões políticas e a consolidação da Administração foram os pilares do Estado moderno.

 Para Wagner, os governos da direita e da esquerda tinham algo em comum: a centralidade da administração pública como instrumento de controle, organização e poder.

 – É nesse contexto que surge a ideia de que não existem países subdesenvolvidos, mas, como Peter Drucker sempre ressaltava, o que há são países subadministrados – ressalta Siqueira.

 No Brasil, esse movimento se materializa com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, em 1930. O presidente do CRA-RJ lembra que, na época, o país ainda era essencialmente agrário, dependente da monocultura do café, e carecia de uma estrutura administrativa capaz de sustentar um projeto de desenvolvimento nacional.

 A criação do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), em 1938, marca esse divisor de águas. O DASP inaugura a profissionalização da administração pública brasileira ao criar o cargo de Técnico de Administração. Nesse contexto, ele consegue atrair os quadros mais qualificados da sociedade, oferecendo, à época, os maiores salários do serviço público.

 Para Wagner Siqueira, o DASP representa o momento em que administrar deixa de ser improviso e passa a ser função estratégica do Estado. “Esse entendimento se aprofunda com a criação da Fundação Getúlio Vargas, inspirada na Organização Racional do Trabalho”, explica.

 Em 1951, surge a primeira escola de Administração do país, alimentada pelos próprios técnicos e dirigentes do DASP, que passam a atuar como professores. A Administração, então, deixa de ser apenas prática burocrática e se consolida como campo científico, com método, teoria e formação estruturada. Começa uma nova Era da Administração com o início da EBAP, Escola Brasileira de Administração Pública. Mas isso é assunto para outro artigo.

Adm. Wagner Siqueira

Presidente do CRA-RJ e do Fórum Est. dos Conselhos Profissionais do RJ

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Pr. Joaquim de Paula Rosa
Pr. Joaquim de Paula Rosa
2 dias atrás

Dr. Wagner Siqueira,
Graça e Paz!

Obrigado, por esse seu Artigo e, em especial, para mim, o conceito de “País Subdesenvolvido”, para “País Subadministrado”.
Vivendo, e aprendendo!
Abraços!
Pr. Joaquim de Paula Rosa
Rio – RJ, 03/02/2025.

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PS: Minha eterna gratidão, ao senhor, por me ter feito Cidadão da Cidade do Rio de Janeiro, e Cidadão do Estado do Rio de Janeiro.

Ronaldo César O. da Costa
Ronaldo César O. da Costa
2 dias atrás

Excelente informação, reconhecimento da nossa querida profissão a qual amo em fazer parte desta linda profissão.

Cezar Oliveira
Cezar Oliveira
2 dias atrás

Como você enxerga as características de um país subadministrado?
Vc concorda que a maioria dos administradores estão de fora?

Cezar Oliveira
Cezar Oliveira
2 dias atrás

Muito bom

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