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Há, certamente, exceções, mas vários dos métodos de crítica sistemática se fundamentam na colaboração e na cooperação dos que estão envolvidos na experiência avaliativa. No entanto, a maioria ainda das situações operacionais reais são presididas pelo modelo de relação autoridade/obediência, tais como aquelas que se dão entre chefe e subordinado, pai e filho, médico e paciente, e assim por diante.

É da tradição da autoridade/obediência, do manda quem pode, obedece quem tem juízo, que a pessoa no desempenho do papel de supervisionado cumpra tudo o que lhe for atribuído. Por outro lado, também não é tradição da supervisão consultar os subordinados de forma participativa e de cooperação. Às vezes, tal colaboração apenas se dá quando a chefia desconhece o que e como fazer: a única forma que tem de equacionar o problema é buscar a contribuição do subordinado para tentar compreender a questão, sua natureza, extensão, impacto, origens e causas.

Por conta dessa tradição não colaborativa no planejamento, organização e direção das atividades nas quais as pessoas se engajam, pois  normalmente se restringem apenas à execução, é particularmente difícil mudar de um modelo baseado em relações hierárquicas verticais diretas  para um clima de colaboração, cooperação e de participação e para o desenvolvimento de uma cultura de crítica sistemática mais efetiva e contributiva.

Outra dimensão importante como obstáculo à construção de um clima de comprometimento e de engajamento na atividade de avaliação crítica decorre das premissas ou das suposições que as chefias, em geral, fazem sobre a natureza do homem na situação trabalho. Baseiam-se na concepção de que, na análise final do processo de avaliação crítica, os indivíduos como executantes são sempre responsáveis pelo que lhes acontece. Somente eles podem explicar o porquê das circunstâncias em que se envolvem e porque as coisas são como elas são.

Neste tipo de atmosfera psicossociológica e de ambiente organizacional, a construção de condições objetivas favoráveis à crítica sistemática pode assim, algumas vezes, suscitar dúvidas e questionamentos sobre as razões e justificativas do sacrifício e do sufocamento das responsabilidades individuais em prol do interesse dominante da aprendizagem do tipo professor/aluno, de cima para baixo, de forma mandatória pelo chefe. E aí, o modelo autoridade/obediência se reedita com toda a intensidade, agora sob a fachada da participação, da colaboração e da cooperação de todos.