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* Wagner Siqueira

O Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro, mais conhecido como Geo- Rio, surgiu em 1966, como uma resposta direta à trágica enchente que assolou a Cidade, então Estado da Guanabara, em janeiro naquele ano. A magnitude do desastre, com seus deslizamentos e inundações, evidenciou a necessidade de um órgão especializado em geotecnia para estudar os solos e as encostas da cidade, visando prevenir futuras tragédias.

Mais de 200 mortos, paralisação da vida da Cidade por vários dias. Um exemplo paradigmático foi a trágica morte do irmão do jornalista Nelson Rodrigues, vítima do desabamento de 2 prédios no Cosme Velho, provocado pelo deslizamento do Morro Novo Mundo. As marcas da tragédia ainda hoje estão lá pela sustentação da encosta deslizada e pela proibição de novas construções naquele local de rua de classe média alta. Novas enchentes se sucederam, sempre tragicamente, nos anos seguintes. Toda a Cidade desabou! Não era mais um ou outro desabamento, ou as frequentes enchentes na Praça da Bandeira e na rua Marques de Sapucaí, onde hoje se encontra o sambódromo. As regiões serranas, à época constituintes do antigo Estado do Rio de Janeiro, também desabaram, como usualmente acontece ainda hoje.

Obras e Ações ao Longo da Existência:

  1. Mapeamento e Estudos Geotécnicos: o então Instituto de Geotécnica iniciou um amplo trabalho de mapeamento e estudo das características geológicas e geotécnicas do estado da Guanabara, hoje município. Esse conhecimento é fundamental para identificar áreas de risco e orientar o planejamento urbano, evitando a ocupação de encostas instáveis e áreas propensas a inundações.
  2. Obras de Contenção: A instituição projetou e executou diversas obras de contenção de encostas, como muros de arrimo, cortinas atirantadas e sistemas de drenagem. Essas obras visam estabilizar áreas de risco, protegendo a população que vive em encostas e reduzindo o risco de deslizamentos.
  3. Monitoramento de Encostas:   implementou um sistema de monitoramento de encostas, com instalação de sensores e instrumentos de medição. Esse monitoramento permite ainda hoje identificar movimentações do solo e emitir alertas em caso de risco iminente de deslizamentos, possibilitando a evacuação preventiva de áreas ameaçadas. Mas antes da prevalência dos avisos de alerta, se precavia antecipadamente com obras e ações pertinentes de sustentação, coleta de lixo dos morros e plantação do verde de vegetação adequada.
  4. Programas de Prevenção: A instituição desenvolveu programas de prevenção de desastres, como o “Prevenir para não Remediar”, que envolve ações de educação ambiental, capacitação de moradores de áreas de risco e realização de simulados de evacuação.
  5. Fiscalização de Obras: a Geo-Rio é responsável por licenciar e fiscalizar obras em encostas, garantindo que sejam executadas de acordo com as normas técnicas e os requisitos de segurança. Essa fiscalização visa evitar construções irregulares e obras que possam comprometer a estabilidade das encostas.
  6. Recuperação de Áreas Degradadas: A instituição também sempre atuou na recuperação de áreas degradadas por ocupação irregular ou processos erosivos. Essas ações envolvem a remoção de construções irregulares, reflorestamento e implantação de medidas de controle de erosão, coleta de lixo. Uma consciência de prevenção contra deslizamento se impôs na gestão da Cidade por décadas, por sucessivos governos, desde 1966 até 2008, quando passa à inconsciência da importância da sustentação de encostas, em que ações usuais de acautelamento cada vez mais se desaceleram e os recursos minguam. Os avisos de alertas, que tratam dos efeitos dos deslizamentos e não da erradicaçãao de suas causas, passaram a ser o imperativo categórico dos gestores da Cidade: reclamações contra o aquecimento global e da inconsciência ambiental da população, mas sempre a avidez dos dirigentes públicos em posarem para a imprensa com jalecos da defesa civil, cada vez mais inoperante. Sempre com declarações repetitivas que se exaurem por si mesmas por vazias de ações concretas e de resultados.

Impacto e Legado:

Ao longo de sua existência, a Geo-Rio desempenhou um papel fundamental na prevenção de desastres e na redução dos riscos geológicos no Rio de Janeiro. Suas obras e ações contribuíram para salvar vidas, proteger o patrimônio e melhorar a qualidade de vida da população carioca.

A instituição se tornou referência nacional em geotecnia e gestão de riscos, sendo modelo para outras cidades que enfrentam desafios semelhantes. Seu legado é a construção de uma cidade mais segura e resiliente, capaz de conviver com os riscos geológicos de forma mais sustentável.

Apesar das mais de 500 favelas nos morros do Rio, ainda praticamente não há deslizamentos graves. Por enquanto. Ao contrário das corriqueiras tragédias de deslizamento em cidades como Niterói, com menos de meia dúzia de favelas; Petrópolis e Angra dos Reis, Teresópolis e outras mais, sempre useiras e vezeiras em deslizamentos de encostas em repetidas tragédias ambientais, muito discursos e entrevistas dos inefáveis gestores públicos, sempre portando os coletes “salvadores” da defesa civil, promessas mirabolantes e zero ação concreta, mas de enorme avidez nas entrevistas à imprensa.

Infelizmente, essa verborragia tradicional passou a ser o comum também na Cidade do Rio de Janeiro, o que nos faz antecipar que logo o Rio será a Porto Alegre de amanhã.

*Wagner Siqueira é presidente do CRA-RJ e foi técnico de planejamento do Ipea e primeiro presidente da RIOPLAN, atuais Fundação Pereira Passos e Iplan-Rio.

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