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De Wagner Siqueira*

 

Quando Deus criou o Homem à sua imagem e semelhança, mandou convocar todos os anjos para uma reunião de discussão e aconselhamento.

Queria obter a opinião deles sobre a ideia de dotar o Homem do conhecimento do segredo da vida. Pediu a todos os presentes sugestões sobre onde esconder esse precioso segredo, de sorte a que só fosse encontrado pelas pessoas efetivamente dedicadas e merecedoras de tamanho privilégio.

Um anjo logo sugeriu que o segredo deveria estar escondido nas profundezas do oceano. Já outro disse que deveria estar nas entranhas da Terra. Um terceiro anjo propôs que o segredo deveria ser hermeticamente encaixotado bem próximo do céu, no pináculo da mais alta montanha da Terra, na região a mais inóspita, isolada e inacessível. Um quarto anjo, no entanto, apresentou uma opinião inteiramente diferente. Disse ele: a espécie humana é muito trapaceira e ardilosa. Logo alguém submergirá às profundezas do oceano, cavará as entranhas da Terra e escalará as mais altas montanhas. Devemos esconder o segredo num lugar em que o Homem jamais sonhe procurar: dentro dele próprio. Deus concordou e assim foi feito!

Cada um de nós possui o mais precioso dos privilégios dado por Deus. Está exatamente dentro de nós mesmos: a nossa atitude diante da vida.

A vida é sempre uma sucessão inesgotável de escolhas. Temos a liberdade ou o livre arbítrio de escolher cotidianamente entre o bem e o mal, entre o suicídio e a vida, entre o amor e o ódio, entre o desespero e a esperança, entre a realização de objetivos de curto ou de longo prazos, entre o otimismo e o pessimismo. Como pessoas, podemos também influenciar positiva ou negativamente a outras pessoas a realizarem as suas escolhas. Mas a escolha fundamental, aquela que determina a nossa trajetória existencial é a atitude que assumimos diante da vida. A escolha da atitude é apenas nossa e é determinante de nosso destino. O segredo da vida está em nós, mesmo quando nos recusamos a aceitar tal evidência.

Até onde queremos chegar depende essencialmente de nossa atitude. É claro que circunstâncias especiais são necessárias para que os nossos sonhos se realizem, pois, evidentemente, não são decorrentes apenas de nossos desejos e vontades. Mas as circunstâncias de todos os matizes só podem ser superadas se administrarmos as nossas vidas com uma atitude permanente de sucesso e de otimismo. Não é que não devamos procurar platôs mais elevados e desafiantes. Antes de tudo, porém, é preciso tentar compreender melhor o platô em que se está.

Um dos exemplos que mostra a importância da atitude, bem como a futilidade da busca constante de objetivos inatingíveis, consiste naquela pessoa que se sente escravizada, capturada numa caixa. A ideia para conseguir a liberdade é fazê-la sair sem quebrar a caixa, isto é, aprender a libertar-se de dentro da própria caixa antes de tentar libertar-se fora dela.  Se não se é livre dentro da caixa em que se está, também não se será fora dela. Sempre que se quebra uma caixa haverá outra ainda maior que a envolve. E depois ainda outra. E assim sucessivamente. Nunca estamos completamente livres de caixas internas ou externas.

É a atitude, não a aptidão, que determina a altitude existencial a ser alcançada por alguém na trajetória da vida.

Pelas nossas atitudes, somos responsáveis pelo que somos e temos o poder de fazer de nós mesmos tudo o que desejarmos ser. O que mais vale no ser humano é a capacidade de insatisfação com as limitações que cerceiam o seu caminho e a determinação que tenha para superá-las.

A compreensão da realidade objetiva, tão bem preconizada pelas teorias gerenciais, nunca é toda a realidade – é apenas parte dela. Se ficarmos restritos a ela, uma vez que só ela se presta a ser observada e testada, estaremos abandonando toda a realidade subjetiva constituída pelo nosso mundo interno, a nossa vivência pessoal, a opção de valores, o conjunto de conhecimentos e de necessidades que governam a nossa existência.

É preciso, por isso, não se deixar abater: ao escapar de uma limitação, simbolicamente representada por uma caixa, descortina-se o ceticismo de um novo cenário.

Nem sempre somos capazes de equilibrar equitativamente a dedicação que devotamos ao trabalho, à família e às organizações comunitárias das quais participamos. Compreendemos com dificuldade que a disponibilidade compartilhada é fundamental ao equilíbrio existencial. Cada dimensão de per si importa muito. Privilegiar uma delas sem considerar as demais nos conduz a um equívoco de avaliação, já que são intimamente relacionadas. É bem possível que a expressão equilíbrio nos conduza a uma visão estática da questão em vez de um processo dinâmico e permanente de interação. A falta de equilíbrio decorre da ponderação excessiva que se possa estar conferindo a uma delas em detrimento das demais.

Quais são os princípios existenciais que para você realmente contam? Como agir em função das escolhas prioritárias? É também possível que as suas expectativas em relação ao trabalho, à família e à comunidade não sejam realísticas, estejam em verdade acima de suas possibilidades objetivas. Se assim for, provavelmente você não as está percebendo com adequação. O comportamento fundamentado em expectativas irrealísticas levam a comportamentos igualmente inadequados à realidade objetiva da vida, onde quer que seja. É preciso que examinemos com perspicácia a nossa própria realidade no intuito de construir um novo caminho que otimize as nossas escolhas existenciais e que contribua para minimizar o desperdício de esforços e de energia, de tempo e de dinheiro, de preocupação e de dedicação às questões que não são importantes para transformar o nosso presente indesejado num novo futuro.

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