Há poucos dias, um vento forte derrubou uma árvore de grande porte sobre uma escola e uma creche, no Humaitá, bairro de classe média da Zona Sul do Rio. Era hora do recreio e tanto alunos quanto crianças não estavam nas salas e, por isso, apenas por essa coincidência, ninguém ficou ferido. Mas os prejuízos materiais foram consideráveis e as aulas tiveram que ser suspensas.
Durante décadas, a Fundação Parques e Jardins, órgão municipal, executou um excelente programa de poda de árvores ao longo de todo o ano. As árvores não caíam naquela época porque eram podadas. Hoje reina a burocracia: a Comlurb tem de podar onde não há fios elétricos, o que não faz, e a LIGHT deve podar onde há eletricidade. Uma ode à inação. Mas uma ventania comum, como a que aconteceu no Rio naquela manhã, só derruba árvores que não estão saudáveis, o que demonstra total falta de cuidado por parte das autoridades, que deveriam fazer podas e verificar o estado dessas árvores, algumas centenárias, espalhadas pelas ruas da cidade.
É claro que a arborização é uma necessidade, principalmente em grandes metrópoles como o Rio. Mas se elas dão sombra e minimizam os efeitos do calor, se não forem cuidadas, causam sérios problemas, inclusive na fiação elétrica, muitas vezes deixando regiões inteiras sem energia. A poda sistemática evita transtornos, mas uma árvore condenada, apodrecida, precisa ser retirada. E aí começa um jogo de empurra entre órgãos municipais e estaduais e a empresa concessionária para o fornecimento de energia elétrica.
Quem se considera em risco ou prejudicado por uma árvore que ameaça cair deve fazer um pedido à Comlurb, empresa da prefeitura autorizada a fazer o serviço. Mas ela depende da participação da companhia que fornece energia elétrica e também das responsáveis por telefonia e internet, já que os galhos das árvores estão abraçando a fiação.
Esse entrosamento não existe, principalmente porque retirar uma árvore requer também autorização dos órgãos oficiais que tratam da preservação do meio ambiente. Até que todos esses setores entrem num acordo, a árvore vai caindo com qualquer ventinho.
Esse problema pode ser resolvido por uma simples gestão conjunta entre todos os órgãos e empresas diretamente ligados à conservação das árvores em locais públicos da cidade. Esse conflito de interesses só faz colocar em risco pessoas e patrimônios dos moradores e comerciantes. Não é uma questão de orçamento, e sim de administração pública.