VENTANIA

Há poucos dias, ventos muito fortes provocaram transtornos no Grande Rio, onde milhares de pessoas ficaram sem energia elétrica, comerciantes tiveram prejuízos e até o transporte por trens e metrô foi afetadona cidade. As consequências de uma ventania tão forte eram esperadas, a surpresa foi a não previsão dese fenômeno, até porque o El Niño foi mais que anunciado.

Em 2015 um furacão atingiu Nova Iorque. O serviço de meteorologia local previu com grande antecedência a força do vento, o dia, a hora, o minuto e o local exato da ilha de Manhatan onde o tufão tocaria o solo. Mais recentemente, numa corrida de Formula Um na Bélgica a equipes foram informadas bem antes da prova, que iria chover cinco minuto depois de iniciada a corrida, apenas num determinado ponto da pista, perfeitamente identificado.

Esses dois exemplos mostram que hoje em dia é possível prever catástrofes provocadas por problemas climáticos por meio de recursos tecnológicos e do avanço do conhecimento dos meteorologistas. Mas isso só acontece em países onde a previsão do tempo é encarada como informação fundamental para a vida das pessoas que convivem com frio e calor intensos, gelo e neve.

Não é o caso do Brasil. Aqui se criou a cultura da terra abençoada por Deus, onde não há furacões nem terremotos, muito menos chuvas capazes de provocar estragos e mortes. Com isso, o poder público negligenciou a preservação do meio ambiente e não investiu num programa de previsão meteorológica tão eficiente quanto os dos países do hemisfério norte.

Esse descaso teve consequências. Vieram as mudanças climáticas provocadas principalmente pela ação humana predatória e o Brasil não ficou livre dos problemas por elas causados. Às enchentes no Sul, a seca no nordeste, a queimadas no norte e no centro oeste, se somaram os ventos fortes principalmente no litoral de São Paulo e Rio de Janeiro. Nenhuma dessas regiões estava preparada para prever ou minimizar os efeitos desses desastres climáticos.

Ainda é tempo de o Brasil acordar para a necessidade de investir pesadamente num programa de previsão meteorológica semelhante aos dos países de primeiro mundo, que seria a base para um esquema de prevenção e ação em caso de desastres climáticos. Não adianta culpar a natureza. A hora é de prever e agir.

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