Generalista X Especialista

Costuma-se dizer que o Generalista é o que sabe menos e menos de mais e mais, até que chega ao dia em que sabe nada sobre tudo.

Enquanto que o Especialista é aquele que sabe mais e mais de menos e menos, ao ponto em que chegue ao dia em que saiba tudo sobre nada.

Em termos gerenciais, em verdade, o Administrador generalista é o especialista que transcende o seu próprio nível de especialização, sendo capaz de correlacionar a sua área de atuação especializada a todas às demais áreas da organização. O Administrador generalista é o que desenvolve a competência técnica de sua área de especialização de conectá-la e interrelacioná-la com todas as áreas da organização. É como se vivesse numa ilha específica num determinado arquipélago: estabelece pontes entre sua própria ilha de especialização às demais ilhas do arquipélago, ou seja, dos distintos departamentos da organização.

O Generalista é, por exemplo, o profissional de marketing que correlaciona e integra marketing à gestão de pessoas, aos serviços de transporte, aos sistemas de produção e de logística, à área de venda etc.

À medida em que se sobre na escala hierárquica aumenta a necessidade conceptual de compreensão e de integração organizacional – generalista – enquanto nos níveis mais baixos ou operacionais se requer menos compreensão dos aspectos conceptuais da organização para se restringir concretamente à dimensão estritamente técnica de cada cargo ou função – especialista.

“Quanto mais se ascende na hierarquia organizacional mais aumenta a necessidade da competência administrativa em substituição à competência técnica, essencial nos níveis de base.

Infelizmente, a formação acadêmica dos administradores no Brasil, desde os idos do neoliberalismo caracterizado por Margareth Thatcher e Ronaldo Reagan em 1980, tem exacerbado o foco no desenvolvimento estritamente técnico dos graduados. Assim, o administrador não aprende a tirar o chapéu de técnico para colocar o chapéu de gestor.

O técnico puro na gerência é mais perigoso do que um politico demagogo e irresponsável, porque é um alienado com poder. Utiliza a sua técnica para desígnios e poder e de mando. Transforma-se num tecnocrata.

A obsolescência comportamental é inevitável num administrador estritamente formado para o uso de técnica especifica, como hoje prepondera nos programas educacionais em geral de administração. É o que é pior: quando a técnica se torna obsoleta, é superada, o administrador se torna um analfabeto funcional com dificuldades de apender a desaprender, aprender a aprender, e fundamentalmente, aprender a pensar a sua realidade organizacional.

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