Licença-maternidade estendida e o desafio da gestão humanizada nas organizações

A redução no número de empresas participantes do Programa Empresa Cidadã trouxe novamente à tona um debate importante sobre o papel das organizações na construção de ambientes mais humanos e inclusivos. Dados divulgados pelo g1 apontam que o número de empresas cadastradas no programa caiu de mais de 30 mil para menos de 9 mil em apenas um ano, representando uma redução superior a 70%. O cenário preocupa porque o programa garante a ampliação da licença-maternidade de 120 para 180 dias, permitindo maior acolhimento às mães e aos recém-nascidos.

Outro dado alarmante mostra que mais de 380 mil mulheres foram desligadas do mercado de trabalho após retornarem da licença-maternidade nos últimos anos. Os números evidenciam que muitas organizações ainda enxergam a maternidade como um problema operacional, e não como parte natural da vida social e profissional.

Sob a ótica da gestão moderna, essa visão representa um enorme retrocesso. Empresas que deixam de investir em políticas de acolhimento e inclusão acabam comprometendo clima organizacional, retenção de talentos, produtividade e reputação institucional. Mais preocupante ainda é perceber que a discriminação nas organizações continua atingindo diferentes grupos sociais de forma silenciosa e estrutural.

O presidente do CRA-RJ, Wagner Siqueira, destaca que: “O preconceito ainda está enraizado nas organizações. É a própria estrutura empresarial que muitas vezes discrimina a mulher, a pessoa com deficiência, o negro, o idoso e o homossexual. A gestão moderna precisa entender que diversidade não é favor, é inteligência organizacional.”

Na visão do administrador, o problema vai muito além da maternidade. Muitas empresas ainda possuem barreiras invisíveis que dificultam a ascensão profissional de mulheres, negros, pessoas com deficiência, idosos e da população LGBTQIA+. Em pleno século XXI, ainda existem ambientes corporativos que associam diversidade à perda de desempenho, quando, na realidade, equipes diversas são mais inovadoras, criativas e eficientes.

A queda na adesão ao programa também revela a necessidade urgente de fortalecimento da gestão humanizada. Organizações modernas precisam compreender que pessoas não são apenas recursos operacionais, mas ativos estratégicos fundamentais para a sustentabilidade do negócio. Quando uma empresa acolhe, respeita e promove inclusão, ela fortalece sua cultura, melhora seu ambiente interno e amplia sua capacidade de crescimento.

Mais do que discutir licença-maternidade, o debate atual é sobre o tipo de gestão que queremos para o futuro: uma administração baseada apenas em resultados financeiros ou uma gestão capaz de unir desempenho, responsabilidade social e valorização humana.

Adm. Wagner Siqueira

Presidente do CRA-RJ

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