Acusação em fundamento

É uma falácia a acusação de que o patrocínio do poder público a grandes eventos no Rio de Janeiro, como megashows, carnaval e festas de final de ano tirem verbas de áreas importantes, como saúde, educação e segurança pública. É certo que o financiamento dessas atividades deveria partir integralmente de empresas privadas, mas o investimento por parte da prefeitura e do governo do estado é plenamente compensado com o retorno em forma de impostos e de geração de trabalho e renda para boa parte da população.

 

Os orçamentos praticados são elaborados e aplicados no ano anterior, logo, não há possibilidade de recursos destinados à saúde, educação, segurança, meio ambiente ou qualquer outra área sejam desviados para o patrocínio de grandes eventos. Além do mais, o poder público aplica uma parte menor nos megashows e nas subvenções de blocos e escolas de samba, ou mesmo na realização do réveillon em Copacabana e em vários outros pontos da cidade.

 

Prova disso é que o governador interino do estado, desembargador Ricardo Couto, cancelou o patrocínio para o show da cantora Shakira e nem por isso o espetáculo deixou de acontecer ou deu prejuízo para os organizadores. Muito pelo contrário, a cota de televisão e o patrocínio de empresas privadas garantiu um alto faturamento para o evento.

 

O grande investimento público nesses megaeventos é, sem dúvida, no apoio, na garantia de transporte, de esquemas de atendimento médico, de trânsito e principalmente de segurança para a multidão que comparece para assistir aos espetáculos. E nesse aspecto as autoridades vem se saindo muito bem, sofisticando a cada ano os esquemas montados para que não haja incidentes graves nas festividades.

 

Passadas as festas vem o retorno dos investimentos. Milhões de reais são arrecadados em impostos gerados na rede hoteleira, no comércio, em bares e restaurantes. Todo o setor de serviços é afetado positivamente e a divulgação da cidade alcança os quatro cantos do país e do mundo atraindo cada vez mais turistas.

 

O Rio é uma cidade com vocação para o turismo, hoje uma das indústrias mais lucrativas, o que representa a entrada de recursos nos cofres do estado e da prefeitura, dinheiro que será revertido em benefícios para a população. Os grandes eventos continuam trazendo gente de outros estados e países para a cidade.

 

(*) Wagner Siqueira é Presidente do CRA-RJ e do Fórum de Conselhos e Ordens Profissionais do RJ, ex-secretário de Administração da Cidade do Rio de Janeiro, Vogal da Junta Comercial do Rio de Janeiro, membro acadêmico da Academia Brasileira de Ciência da Administração (ABCA) e da Academia Nacional de Economia (ANE), além de ser autor de livros sobre gestão.    

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