Controle Mais Eficaz de CustosSempre que ocorre uma grave crise de recessão, ou pior ainda uma pandemia como a de coronavírus, explicitamente todas as organizações veem-se frente à necessidade de reduzir custos. Com raras exceções, elas recorrem aos métodos mais usuais, banais mesmo, óbvios ululantes, de redução de custos. E todos rezam na mesma cartilha!

Cortar despesas é como cortar unhas: é preciso cortar sempre! Mas se cortar errado, cortar demais, cortar o que não deve ser cortado, infecciona os dedos. Você os perde e deixa de andar.

Esses métodos usuais de corte de despesas, praticado na quase totalidade das organizações, geram economia mediante providências que abalam seriamente a capacidade produtiva de seus sistemas humanos. O alívio obtido pelo corte indiscriminado de despesas a curto prazo não é compensado pelos efeitos negativos a médio e longo prazos bem mais substanciais, e frequentemente, maiores do que a economia realizada a curto prazo.

É preciso mudar a maneira de pensar e de agir gerencialmente em relação ao corte de despesas.

Cortar despesas versus aumentar a receita é uma dicotomia equivocada. É o mesmo equívoco brasileiro em relação ao combate à coronavírus: saúde versus economia? São irmãs siamesas.

Cortar despesas não é foco. É consequência. Foco é aumentar receita. O foco do gestor deve ser aumentar a receita, e, em função da viabilização ou não da receita, cortar as despesas que não contribuam efetivamente para a realização das receitas, que não guardem com elas quaisquer conexões relevantes, que não contaminem o sentido de motivação, de autorrealização e de pertencimento. O mau desempenho se agrava com a má gestão com foco obsessivo de corte radical de gastos.

Você determina o corte de despesas de olho ou com foco na receita. Há até despesas que devem ser feitas – quando não ampliadas – para garantir o aumento das receitas.

Em muitos casos, cortes irrefletidos e desinformados de despesas acabam por matar a galinha dos ovos de ouro das organizações, exato lá onde se localizam ativos altamente generosos de receitas, que não são vistas por conta do exagero – até inconsequente – de uma percepção equivocada de cortar despesas como uma compulsão gerencial acrítica à realidade dos ativos e passivos existentes nas organizações.

De que forma poderá uma organização conter custos e efetivar bons controles gerenciais, de imediato, sem passar pelos consideráveis efeitos adversos? Grande parte dos colaboradores está consciente desses custos e ineficiências, e mais ainda que oportunidades devam ser exploradas para alcançar receitas ainda não percebidas pela alta direção. Mas a alta direção costuma não aceitar contribuições – por mais que o diga que o faça – em função do estilo gerencial que adota para administrar.

E a organização assim se enreda um círculo vicioso, num moto-contínuo, de corte de gastos, cujo derradeiro ato gerencial tende a ser a declaração de sua inviabilidade funcional como instituição. Cortou irrefletidamente tantos custos que levou a organização à morte por falência múltipla em função do pecado da cegueira gerencial que praticou insistente e abusivamente.

Em verdade, a questão mais relevante do futuro das organizações bem pode ser como compatibilizar autoridade e racionalidade, ou, caso de isso ser impossível (como percebo ser o caso da maioria das organizações com as quais convivo), como substituir o critério da autoridade por outros critérios mais produtivos ao desempenho de pessoas, equipes e interequipes, e, portanto, do coletivo organizacional? O grande desafio é que raramente as altas cúpulas sequer conseguem enxergar tamanha obviedade.

Quanto mais me envolvo com organizações e executivos, mais admito que as organizações de vanguarda – e somente estas sobreviverão – hão de ser aquelas em que a autoridade e obediência serão variáveis irrelevantes para a excelência organizacional.