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Estamos vivendo dias difíceis. Além dos graves problemas sociais, enfrentamos no Brasil uma crise moral que corrói as relações ente os cidadãos e transforma a nação numa espécie de casa mal arrumada. O brasileiro reclama pelos cantos e destila sua raiva nos políticos, que levam a culpa por todas as mazelas.

O político, mais precisamente o parlamentar, tem sua parcela de culpa. Mas não é o único culpado. Num estado democrático, Legislativo, Executivo e Judiciário têm a mesma responsabilidade de preservar o decoro nas esferas de poder, agir com honestidade e competência e zelar pela ética e pelo respeito à cidadania.

O país é o espelho de seu povo. Reflete exatamente o que pensa e anseia a população, que elege seus representantes no Legislativo e no Executivo que têm a obrigação de fiscalizar as ações do Judiciário. A sociedade dispõe de meios eficazes de cobrança, como a imprensa, os sindicatos, as associações de classe e o mais importante deles, o voto com o qual afasta da vida pública os que não honram o mandato recebido.

Desmoralizar a política, os políticos e especialmente o parlamento é uma atitude simplista, de quem não quer se dar ao trabalho de analisar em profundidade as causas de tantos problemas, de tanta corrupção, de tanta inépcia dos que foram eleitos para defender os interesses da população. Se esquecem esses arautos do caos que o Legislativo é o coração da democracia.

Rui Barbosa dizia que “de tanto ver triunfar nulidades o homem sente vergonha de ser honesto”.  Está aí a maior prova de que a corrupção, essa doença que mina as nossas instituições, se instalou no Brasil há muitos anos. Contra ela, os homens de bem, que são com certeza a maioria, continuam lutando tenazmente. E muitas batalhas já foram ganhas, embora a guerra ainda esteja longe de terminar.

Só a tomada de consciência dos cidadãos, cada um fazendo a sua parte, por menor que seja, será capaz de transformar a sociedade brasileira. O futuro está nas nossas mãos, logo não podemos abdicar da esperança, do otimismo. A utopia de alcançarmos a justiça social plena, a igualdade de oportunidades para todos é o combustível que nos levará a escolher governantes e representantes dignos da nossa confiança.

Jamais chegaremos a um democracia estável ou construiremos um país ético sem a participação ativa do cidadão. Sou otimista, confio em dias melhores porque estou disposto a trabalhar para essa conquista. Mas sei que uma andorinha só não faz verão. É preciso que todos nós persigamos incansavelmente o mesmo objetivo. Nossas armas são a consciência e a participação. O Brasil, essa grande nação, clama por uma revolução ética. Não há tempo a perder. Mãos à obra.