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Há amores que nascem sob o signo do equívoco e acabam morrendo até mesmo trágica e tristemente porque as pessoas não souberam encontrar a raiz desse equívoco e arrancá-la com coragem. Então, de equívoco em equívoco, o amor vai se desgastando e até se transforma em raiva, contida ou incontida. E morre de morte nem sempre acidental.

É difícil, sim, mas o amor – como Cristo – também pode ressuscitar. Isso exige uma mudança radical. E a condição para qualquer mudança que toque na essência dos problemas que originaram os equívocos é o reconhecimento dos erros. É terrível a hora da verdade, mas trata-se de um ato imprescindível para que possa haver mudança. Dizer que mudou ou está mudando sem encarar a verdade e se colocar a nu para o outro não passa de ilusão e engano.

O que não assegura uma mudança séria e real. Apenas uma farsa ou dissimulação que logo se desmascara. Só com a coragem de encarar a verdade, para si mesmo e para o outro, se pode ter esperança de acabar com os equívocos e ressuscitar o amor renascendo para o amor.

Essa é a realidade do país hoje: muitos equívocos ainda impedem o feliz casamento do Brasil com a administração profissional. A crise, aguda e profunda, no entanto, não é irremediável. E o equívoco pode ser superado pela necessidade, parteira da mudança e da transformação das teorias e das práticas existentes em nossas organizações. 

O Brasil precisa compreender que a sua crise também é de gestão.

Uma perversão econômica persistente por décadas deformou a capacidade de perceber das pessoas, como se uma hemiplegia ético-moral só nos fizesse acreditar no lucro fácil, na desnecessidade do trabalho árduo, nos ganhos financeiros improdutivos e desmesurados, na lógica corrosiva do sempre querer levar vantagem em tudo, no jeitinho desonesto, no pistolão e na malandragem.  Uma nação só sai da crise pelo trabalho. E o trabalho modernamente é o campo da gestão profissional.

A cultura brasileira é pródiga em dicotomizar o dizer e o fazer, a palavra e o gesto, a teoria e a prática. Nunca se falou tanto em teorias e técnicas modernas de gestão quanto hoje, mas a realidade objetiva do mundo do trabalho é ainda bem distante em suas aplicações concretas.