Criatividade é pensar o novo. Inovação é transformar o novo em realidade. Existe um enorme fosso entre essas duas circunstâncias. Nem sempre quem pensa o novo tem competência para realizá-lo. A incompreensão da dicotomia entre essas duas competências tem sido a fonte e a origem de sucessivos fracassos gerenciais tanto no mundo das organizações como na sociedade em geral.

A história humana é pródiga em demonstrar que são parcerias especiais e raras, que se agregam em projetos comuns, com protagonistas de competências tão distintas, mas complementares e suplementares, que obtêm êxitos fulgurantes em sinergia de criatividade e inovação.

No caso da construção da Capela dos Médicis, que se localiza no interior da Basílica de São Lourenço, em Florença, na Itália, durante a Renascença, só foi possível por conta da parceria entre o papa Clemente VII, que foi o pai da obra, e de Miguel Ângelo, que foi a sua “mãe”.

Foi assim também, à guisa de outras ilustrações, na construção de Brasília, com JK e Oscar Niemayer e Lúcio Costa; no Aterro do Flamengo, com Carlos Lacerda e Lotta Macedo; o pouso do homem na Lua, com Kennedy e a Nasa, e uma miríade de outros exemplos semelhantes.

Poucas dentre as grandes corporações, que encomendam afrescos, esculturas e toda a sorte de obras de arte para seus edifícios-sedes, dão-se conta de que isso envolve algo muito mais do que simplesmente fazer pagamentos em favor de artistas renomados. Por essa razão, muitos imponentes edifícios exibem, enterradas às suas frentes, estranhas e despropositadas peças completamente inadequadas ao cumprimento dos propósitos a que originalmente se destinavam.

Por certo, são poucas as corporações que conseguem compreender que precisam dispor de “Clementes” e de “Migueis Ângelos”: necessitam da mesma combinação em sinergia criativa e inovadora para elaborar seus novos projetos e planos, para transformar o novo em realidade.